terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quase pai.

Ontem, durante o maior pique de trabalho, recebi uma ligação. Minha enteada (filha da minha ex-mulher, no seu primeiro casamento). Não me sinto a vontade para colocar o ex, na minha enteada. Estranho. Mas, não consigo.
Eu a conheci com seus cinco anos de idade. Linda! Levadíssima! Atrevida! Inteligente! Dinâmica! Fará 24 anos. A Hanna, minha neguinha, sobrinha amada, me lembra demais minha enteada.
Ela gostaria que eu conhecesse sua casa nova, ontem. Não nos víamos há tempos. Disse que poderia sim, mas naquele dia talvez não. O "fechamento" estava meio truncado e eu poderia demorar mais tempo no trabalho. "Voce está sempre preso a este seu trabalho...", ela disse num tom que achei meio de lamento. Falei que era preciso. Ela entendeu. Perguntou se eu poderia hoje. Acabei de chegar da casa dela.
Saudade, família...como o livreto do pastor me veio à mente. Ela me deu um abraço fortíssimo e beijou meu rosto 2.386 vezes...juro! ou foram 2.387? Sei não! Estava radiante, me apresentando cada cômodo. Inclusive o tanque com roupa que ela começou a lavar e parou, por causa do frio...rsrs (quem diria!).
Eu, tentando entender tudo o que estava se passando (porra! sempre assim...), olhava tudo com atenção. O que seria aquilo que estava acontecendo?
Em meio a muitas perguntas, e conversas variadas, ele me convida para jantar. Nossa! Aceitei, lógico. Hoje, minha coluna dói até a alma. Coisa de ex-atleta teimoso. E ela mandou que eu sentasse no sofá da sala enquanto fazia um arroz fresquinho. Ela da cozinha e eu da sala, falávamos de muitas coisas, sem parar. Ríamos gostoso.
Finalmente percebi o que estava acontecendo. Minha menininha, que tanto trabalho me deu e tantos transtornos causou, virou uma mulher bacana, independente; simples, mas objetiva e determinada. Uma graça! "Palhaça", como em criança...
Estávamos ali, meia família. Meu enteado, que mora com ela, não viria para casa hoje. Fomos para uma simpática varandinha e falamos sobre plantas (ela fez um jardim bonitinho), caramujos e sobre o recente falecimento do pai dela.
Ah! O jantar foi um delicioso strogonoff de frango...delicioso mesmo (comi duas vezes!). A casinha, contrução antiga, parece casa de vó. Saca, casa de vó? Assim, simples e aconchegante. E aquela "criança" lá. Sozinha, cuidando de tudo. Eita! Vida...como diria meu irmão Joãozinho...rsrs.
Bem, havia chegado a hora mais difícil. Ir embora. Estava mesmo gostoso, ali. Mas já eram 21:30, e minha coluna "pegando fogo". Fogo! Lembrei que ela gosta de futebol e cerveja (meu legado? rs). Amanhã vamos ver o Botafogo num rodízio de pizza! Ela topou o convite na hora. Legal!!!! Não verei o jogo sozinho. Verei com a minha enteada!
Na hora da despedida, outro forte abraço e mais alguns 4.246 beijinhos no rosto e na testa. Ou seríam 4.245? Sei não! Mas amanhã será um jogo diferente.
Ela me disse: "Não me esquece não, que agora não tenho mais pai..."
Imaginam, né?
Bem... eu, um quase pai, fiquei ali. Vendo um tempo (TEMPO!TEMPO!). Quanto tempo deixamos um ao outro...mas, que tempo? O tempo que vale é o tempo presente. E esse tempo será meu presente. De Deus. Serei um quase pai, presente...
E amanhã tem futebol, com a minha filhinha postiça. Vai ser maneiro! Vida nova.

Obrigado a todos pela paciência.

6 comentários:

  1. Que bacana Anselmo! Você tem mesmo jeito de pai!..rs
    sendo assim, parabéns antecipado pelo dia dos Pais.
    Felicidade para nova vida! ai Na.Sra. da bicicletinha!..rssss
    abçs

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. De emocionar, querido amigo... de fazer brotar água nos olhos... Vc nunca será quase! Vc é tudo!

    bjsssssssss

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  4. Que coisa linda, esses momentos que viveu e que registrou aqui, amei conhecer esse lado pai do Anselmo. Curta bastante mesmo sua filhinha, vale a pena...
    Beijos da amiga pra sempre
    Rita

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  5. Lindo depoimento. Fiquei emicionada... de verdade! Lindo demais!!!!!
    Você, certamente, é um "paizão" muito querido.
    Bjs

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  6. Meu querido, aprenda uma coisa: pai é quem ama, cuida, se preocupa, e não quem gera. Tenho um pai, ausente, distante, apenas uma figura cujo nome consta dos meus documentos... queria ter tido a oportunidade de ter um pai como vc, tenho certeza que amoroso, carinhoso, que apoia, ajuda, compreende, presente. Sinta-se pai pois pai é quem ama e nao quem gera. Colocar um filho no mundo é muito facil, qualquer um faz, mas ter atitudes de pai, nao é para qualquer um, tem que ter alma....

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