sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Para um jornalista equivocado.

Algumas frase marcantes no universo do futebol:

"Quanto mais trabalho, mais sorte tenho"
"Pênalti, não é coisa que se perca"
"Quem não faz, leva (gol)"
"Eu não gosto de futebol. Gosto mesmo é do Botafogo"

Esta postagem está diretamente relacionada a uma matéria do Jornal dos Sports escrita pelo Júlio Gracco - jgracco@jsports.com.br - que coloquei mais abaixo. Uma lástima. Como um profissional pode ser tão desrespeitoso com a paixão de uma torcida e sua maneira de se expressar?

O autor da matéria - desculpem a franqueza - demonstra total falta de conhecimento para analisar um esporte tão complexo em seu desenvolvimento e emoções.

Sim! Embora pareça simples, o futebol é de uma complexidade enorme em sua estrutura:

- Não é um esporte de precisão;
- A equipe mais fraca pode vencer facilmente a mais forte;
- As valências físicas são diversas, entre os setores do time;
- Elas devem se harmonizar em prol do conjunto;
- As individualidades superam as táticas;
- A força física não é determinante;
- A falha individual altera os resultados mais previsíveis, apesar de um conjunto superior;
- E finalmente, para arrematar as frase do início deste texto: "Torcida não ganha jogo".

Creio que uma matéria lamentável como aquela justifique a preferência de alguns veículos televisivos em contratar profissionais do esporte para seu quadro de comentaristas. Junior, Neto, Falcão, Casagrande, Arnaldo Cesar Coelho, Jose Roberto Wrigth, não nos trariam a informação, tosca e descabida, de que determinado atleta errou a execução de uma jogada, por causa de "olho-gordo" vindo das arquibancadas.

Faça-nos o favor...

A torcida botafoguense é tão apaixonada como qualquer outra no país. Mas ela não é cega. Ou burra. Sabe que o Lúcio Flávio, por exemplo, é um "amarelão" mesmo. Ela não o queria no time, mesmo antes de se transferir para o Santos.

A equipe tem sérios problemas estruturais e de liderança interna (vide, briga do Jônatas).

Discute-se ainda: as premiações em atraso;  as do campeonato brasileiro; salários e contratações para a próxima temporada. Tudo isso, em meio a competição. Pior que isso, vimos na era Bebeto, com a demissão e re-admissão do Cuca, lembram?

A Sul-Americana, deste ano, está devidamente resolvida, sendo notória a diferença de atitude dos jogadores, naquela competição. Não se espantem se o Botafogo chegar ao título. O projeto, é esse. E a segunda divisão seria lucrativa depois de uma conquista internacional. Os cofres estariam devidamente abastecidos, pois com um investimento mais modesto atrairia muito mais público do que na série A.

Não sou contra nada disso, desde que a entidade esteja alicerçando seu futuro. Penso instituição e não apenas em time de futebol.

Tem mais: alguns jogadores foram equivocadamente valorizados, casos de Juninho e Leandro Guerreiro, tendo os contratos prorrogados e causando desestímulo a outros atletas. Talvez ao próprio Lúcio Flávio, um desanimado convicto.

E para encerrar por hoje, e só por hoje, como diria o grande Hélio Fernandes: o time é mesmo muito ruim, prezado Gracco.

Mas a torcida, meu caro jornalista, não tem culpa de ver futebol melhor do que você, que pelo visto provou o gosto de estar junto a um torcedor de arquibancada pela primeira vez.

Lamentável! Tantas linhas, em um jornal especializado em esportes, e nenhuma informação.

É! Está dito.

De um botafoguense apaixonado pelo futebol.

3 comentários:

  1. É... Fluminense precisava de um torcedor assim, tem chance de trocar a camisa??
    Parabéns pela bronca!

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  2. Meu queridíssimo editor, como se não me bastasse o prazer de ler suas notícias, contos e poesias, o privilégio de poder interagir com eles. Um blog charmoso pela variedade, idéias inusitadas e visões paradoxais sobre o mesmo tema. Isso o distingue dos demais. Um espaço democrático, aberto e livre. Livre não pela existência de múltiplas opções, mas pela coragem de escolhê-las sem o compromisso prévio da aceitação alheia. Isso é ousadia!! Isso é Liberdade de pensar e de expressão. Sua Dra.F

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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