domingo, 18 de outubro de 2009

Fim, de fim de semana...bacana!!!!!

Sim, chegou o tão esperado horário de verão. Amanhã cumpro um ritual que comecei, exato, no primeiro dia do primeiro horário de verão. Vou tomar um café, ou chopp; caipirinha ou Dry Martini (será assim que se escreve?...rs) vendo um fim de tarde com sol.

Mirando o Cristo, a nos abençoar, do alto de seu pedestal maravilhoso. Maravilhas do Rio!! E, o mais importante: bem acompanhado. Adoro esse horário, pois o carioca é ainda mais carioca.

Lembro-me de quando morei no Leme. Abria a porta do apartamento às 18 horas, de Brasília, 17 horas, no horário normal, vindo do trabalho. Sol. A camisa ficava no encosto da primeira cadeira que encontrava. Os sapatos formavam uma pequena trilha até o banheiro. Ali ficavam calça e cueca. A sunga, logo estava elegantemente acomodada no corpo, deixando um pequeno prenúncio do que hoje seria chamado "cofrinho" (rs).

Naqueles dias, meus 74 Kg eram milimetricamente distribuidos por 1,72m de altura. Índice de massa corporal comparável ao de um atleta olímpico. Invejável. 1988. Saía pela Demétrios Ribeiro, Prado Júnior, Atlântica e calçadão. Seis quilômetros depois de uma corrida em ritmo de treino, um Futevôlei. Mais adiante, choppinho no Sat's, com um galeto na brasa sempre especial.

Os papos, sempre variados: futebol; mulher; mulher; futebol; mais futebol; mulheres, mais ainda: "Opa! Olha aquela gata alí..." (rs).

Naquele tempo tudo funcionava. O tempo, era tempo de tudo. De trabalho e diversão. De namoro e compromissos. Sem internet. Ah! se tivesse...(rs).

Era o riso sacana, a piada na ponta da língua: "Homem casado com mulher feia, em final de semana comprido adoece!". Isso, aos berros...

O flerte! A moça linda, ainda de biquíni, com aquela saída de praia de crochê. Era possível observar sua curvas perfeitas, o tônus. Seios ideais. Bumbum, hum! Isso tudo, sentada confortavelmente em uma cadeira de praia na calçada da Barata Ribeiro. Chopp na mão direita e uma coxinha, do melhor galeto da região, na outra. Pura sensualidade. O "barato" era oferecer um guardanapo. Celular? Sai fora, cara! No guardanapo seguiam telefone e endereço. Aquilo sim era torpedo!

É, isso também dá saudade.

Existem variados estímulos, que nos dão saudade. Até, talvez, um filme macabro: "Carrie, a estranha". Nem sei em que ano. Fellini, Coppola, Steven Spielberg. Alguns gostam, outros não. Mas são motivos de saudades, por algum filme que produziram.

Assim segue a vida. De saudade em saudade. Não é a saudade, que entristece ou endurece o ser humano. É a perda que a motivou. E não são os fatos que nos deprimem. Alguns de nós é que somos depressivos, por nos sabermos incapazes de dominarmos nossos sentimentos incontidos.

Ciúmes pode ser vertente de saudade. Hipocrisias também.

Mas isso é tema para a próxima semana. E sei que minha querida amiga, Drª. "F", gostará de brincar com ele também.

É! Está dito.

Morrendo de saudade, esse moreno que já foi "barriga de tanquinho"!

Boa semana a todos.

Uma querida colaboradora.




Querido leitor.

Voce deve estar se perguntando de onde surgiram alguns belos contos e poesias, com uma linguagem nova, em nosso espaço.

E perceberam ainda, uma nova assintura: Drª. "F".

Algumas pessoas, que a sorte divina me fez conhecer, passaram por este blog e o acharam simpático, acolhedor (rs). Pelo menos foi o que me pareceu que sentiram. E fizeram alguns comentários carinhosos, que até resolvi colocar como postagem. Ensinamento e gentileza da Hanna (http://sobretudoqualquercoisa.blogspot.com/).

Mas a Drª. "F", em conversa de fim de noite, depois de uma caipirinha servida do jeito certo (o mineiro, sem coar), e muitas horas de histórias divertidíssimas, ou trágicas, se revelou amante do escritos. E olha! Que escritos. Sugeri que ela criasse um blog, para que pudesse compartilhar sua sensibilidade com mais pessoas. Ela me lembrou das tarefas de seu agitado e curto dia de trabalho. Curto, pois quase não dá tempo de resolver tudo em apenas 24 horas. A nossa querida Drª desempenha funções importantes em nossa sociedade, e não se achou segura, o suficiente, para manter um blog. Disse que seria muita responsabilidade e esse comprometimento não está nos seus planos atuais. Perfeito, Drª - disse eu, vislumbrando uma solução para não calar tanta emoção - escreva no meu blog. Eu serei seu pseudônimo, brinquei. E ela adorou a idéia!

Mas como isso seria falsidade ideológica; apropriação indébita da cultura e conhecimentos; uma farsa..(.rsrs)resolvi criar a Dr.ª "F".

Sei que gostarão de tudo que vier com essa assinatura. Não tenho dúvidas. Quem sabe, aos poucos, essa pessoa incrível não se revela a todos. Eu gostaria muito que assim fosse. Mas estou feliz em saber que por seu intermédio esse blog enriquecerá os corações de muitos.

Beijos, querida Drª. "A casa é sua!"

É! Está dito.

Ah! vou correndo pro quarto. Vai começar a F1. Nosso "almirante" está no comando.


Bom domingo.

A saudade do nunca mais saber ou sentir...


Ainda ontem passei por lá.

Revi as paredes que ouviram nossas conversas, discussões, frases de amor; revi a cozinha de momentos de aconchego em que me alimentei de ti; revi a cama de lágrimas quentes no travesseiro, de suores cansados, de entregas sem tempos ou limites.

Agora me vejo aqui frente a um corpo inerte e desnudo, fixo da rigidez completa e generalizada, um olhar midriático a me fitar, conjuntivas secas e córneas opacificadas em um sem fim de mensagens que não consigo decifrar; orifícios naturais da face que não mais me ouvem gritar – volte, venha -, não mais me beijam com volúpia, não mais me cheiram com desejo insaciável, neles. Só a secreção sanguinolenta se apresenta; o tórax simétrico e sem lesões não mais acelera com as minhas palavras, escoriações antes avermelhadas, são meras lembranças pardacentas das brincadeiras recentes de amor; o abdômen que aconchegou meus cabelos sobre ele esparramados, não vibra mais das risadas, não se move mais com soluços do pranto incontido; a genitália externa masculina, antes viril, quente e pulsátil, agora limitada a uma frieza sem gozo, sem jato, sem semente de vida; membros superiores que antes me abraçavam com vigor, que acarinhavam com delicadeza, imóveis, congelados em um último momento de aceno; membros inferiores sem movimentos anormais; aqueles contorcionismos típicos para me envolver , para me rodear, me fazer chegar ainda mais perto e mais fundo; o dorso onde tantas vezes me deitei e me esqueci, só mostra livores de hipóstase. Mas em um momento eu vi, Sinal de Benassi, em região temporal, orifício de entrada de projétil de arma de fogo com fuligem nas bordas, sinal de bonnet, tronco de cone na tábua óssea e vi mais além, vi ainda a pólvora na mão.

E como se nada mais me restasse descobrir, a certeza da perda da vida pela vontade. A saudade. Mas essa Saudade? Isso é saudade diferente. É dor que tira o fôlego, que carrega a alma, que destrói a mente. É a saudade sem perdão, é a saudade do nunca mais saber ou sentir – o que quer que seja - se está bem ou mal, já não mais está somente.


Drª. "F"