segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Será que peço?

Querido Papai Noel.

Meu ano foi muito esquisito. Dores. Muitas dores! Imobilidade. Tristezas profundas. Perdas. Algumas, irreparáveis...mas, gozado! Não me lembro de ter pedido, no ano anterior, que nada disso acontecesse.

Se eu pedir que coisas assim não aconteçam em 2010, estarei sendo muito exigente?

Papai Noel, foi muito ruim passar dias na cama sem nada poder fazer. Por vezes, mal conseguia chegar ao banheiro. E sair dele, então...rs. Doia tudo. Nem queria comer. E sabe o que foi pior? Sozinho. Não havia muito que alguém pudesse fazer para ajudar. Só o tempo (olha ele aí de novo!) para fazer com que remédios poderosos atingíssem o efeito desejado. Mas, passou.

Papai Noel, fiquei no fio da navalha no emprego. Durante um mês inteiro, me vi perdido. Anestisiado pela surpresa da demissão, dada em dozes homeopáticas, dia após dia, sentia quase trinta anos de trabalho se perdendo. Um ano a cada dia. Um não sei o quê de coisa alguma que me deixava perplexo. Num dia, muita motivação pelas novas possibilidades. Noutro, a dor da perda quase inevitável. Mas, passou.

Papai Noel, foi duro enterrar meu Thor. Ele era um cachorro fantástico. Maravilhoso. Espetacular. Querido. Corajoso. Cuidadoso. Zeloso. E não vivi muito tempo ao seu lado. Estava distante morando em outra casa e as notícias que me chegavam eram a de que ele se recuperava de algum problema de saúde e estava bem. Ele deixou um vazio. E um nó na garganta, sempre que vejo sua foto. Ainda agora os olhos ficam marejados. Mas...bem, não passou nem vai passar, né? Mas a tristeza virou saudade.

Papai Noel, a doença de meu pai nos alertou para os cuidados com a saúde e com os sentimentos do outro. Aquele homem forte e guerreiro tinha suas fraquezas e necessidades que não quis dividir. Sofreu suas dores (e ainda sofre) como um rei que não pode perecer diante de seus súditos. Mas o tempo vem colocando suas marcas naquele velho corpo que guarda uma alma grandiosa, singela. Vai passar, mas vai doer...

Papai Noel, deixei pessoas queridas. Grande parte da minha vida foi para um baú ou livro de memórias. Tentei novos horizontes sentimentais. Conheci gente boa e querida. Outras, nem tanto. Mas o saldo das amizades que ficaram me alegra. Também fui um traste para algumas dessas pessoas e a vida há de cobrar seu quinhão. Mas, no fim, todos tentamos o que julgamos ser o melhor em dado momento. Assumimos as consequências de nossos atos, respiramos fundo e seguimos em frente, pois voltar não é mais possível.

Bem, queridíssimo Papai Noel, a questão é: pedir que 2010 seja muito diferente de 2009? Que tais fatos não se repitam em 2010? Será? Acho que vou pedir isso ao senhor, meu Papai Noel. Hum! sei não...

Papai Noel, sabe de uma coisa? Tá tudo certo! Estou trabalhando na mesma empresa, com mais garra e sucesso. Ainda tenho duas cadelas lindas que adoro e preciso cuidar e ficar mais perto (cachorro morre de solidão e saudade). Vou curtir mais uma ceia de natal junto aos meus pais, irmãos e sobrinhos, e o velho rei ainda estará lá, empunhando seu bastão e dizendo: Deus te abençoe meu filho. Vou receber votos de feliz natal de muita gente boa e desejarei o mesmo. Rezarei para ser perdoado por aqueles com quem falhei e pedirei sabedoria para perdoar os que comigo falharam. Enfim, Papai Noel, vou lhe pedir apenas uma coisinha: saúde! Que este coração, quase cinquentão, se mantenha forte, vibrante, calmo e seguro, pois a estrada é longa. E vida!? A vida é isso aí.

Ah! E também por que torço pelo Botafogo. Haja coração!!!!!

Obrigado, Papai Noel. Muito obrigado por tudo que tenho.

FELIZ NATAL A TODOS! MEU RESPEITO E MINHAS DESCULPAS.