domingo, 24 de janeiro de 2010

A natureza é sábia.

E então encontrei aquele pássaro aconchegado no canto da capelinha. Gentis, os cães (saudades do meu Thor!) buscavam minha atenção para aquela ave frágil. No princípio achei que fosse algo bizarro como um morcego. Era novo de roça e tudo poderia me surpreender. Fui me aproximando, e vi tratar-se de um filhote de uma espécie de pássaro que jamais saberei definir. Era um pouco cinza, um pouco marrom... Perdoem-me, não sei definir ao certo a forma daquele visitante, era noite e estava cansado. Mas, lá estava ele – ou ela, vai saber – e parece que precisava de ajuda. Meus cachorros estavam agitados, como se cobrassem uma atitude. Não entendia bem aquele alvoroço. Mas os “caras” latiam e pulavam em mim, com aquele olhar indicador para o pobre pássaro.


Eles nunca gostaram que os pássaros sequer pousassem no terreno. Quando viam uma simples rolinha catando algum grão, despencavam sobre a pequena ave que, se não fosse esperta, era apanhada em pleno início de vôo. Mas... E aquela? Como chegou àquele canto de janela, exatamente sobre a casinha de madeira dos cães? E tão debilitada? Na verdade, posso afirmar, era um filhote. Um pequeno e fraco filhote da espécie “sei-lá-o-quê”. Muito estranho! Estava aconchegado e protegido, tanto dos cachorros, como de qualquer outra espécie de vida que pudesse lhe oferecer perigo. Era um filhote. A mãe o teria deixado ali por algum motivo? Como determinou aquele espaço improvável? E os cães? Não rosnavam enfurecidos e incomodados. Estavam, antes, como que preocupados e solicitando uma atitude protetora.

Com algum receio aproximei-me da tal ave. Olhei. Pesquisei. E ela, ali. Nem se movia. Sua posição lembrava a de uma galinha chocando. Toda aninhadinha. Estiquei o braço, receoso de que a ave pudesse se assustar e cair. Mas ela foi dócil e se aninhou em minha mão. Parecia trêmula. No mesmo instante os cachorros sossegaram. A atenção agora se voltava para entrarmos na casa. Abri a porta e eles foram primeiro. Pararam à minha frente, como a questionar: e agora, vai fazer o quê? Aquelas línguas róseas penduradas e os olhares brilhantes davam a noção de suas expectativas.

Subi para o quarto. Estava mesmo perdido. E agora? Os “caras” latiram duas vezes. Incrível! Comida. Entendi direitinho os latidos indicarem: dá comida a ele/ela. Não tinha nada para pássaros. Lá na reserva não podemos ter pássaros aprisionados. E aquele, ainda por cima, era filhote. Pão. Farelo de pão, “migalhados”. Descemos. Os “caras” pareciam aprovar a atitude. Tinha pão. Beleza! Mas o passarinho vai ficar aonde? Como vou abrigá-lo? Daí, vi uma dessas cuias em que se toma sopa. Também não sei o nome daquilo, mas era perfeita. Como era um filhote, forrei a cuia com algodão e espalhei os farelos dentro, aninhando o passarinho da maneira mais confortável possível. Acho que ele gostou... Subimos de volta ao quarto. A cachorrada deitou-se imediatamente repousando os focinhos no chão. Estavam tranqüilos, agora. Sentei-me junto a eles, no chão, e relaxei. Meu Thor virou-se de lado, recostando seu dorso em minha perna. Adormecemos.

Despertou-nos, pela manhã, um piado forte e meio nervoso. Era o bichinho de penas. Deu sinal de vida, o danado. E agora? Mais comida? Dizem que passarinho come o dobro do seu peso. Haja pão... Os “caras” ficaram agitados de novo. A Soll, minha cadela linda, foi e voltou até a porta da sacada, balançando o rabo e saltando nas patas dianteiras. Bem, sem dúvidas ela queria que eu levasse o passarinho para fora. Coloquei o ninho improvisado na sacada e nos afastamos. Voltamos para dentro do quarto e ficamos quieto. Ouvimos o piado do pássaro, mais forte. E outro e mais outro. Agora havia mais piados. De repente o silêncio. Saímos para a sacada e os cachorros se penduraram na mureta. O “ninho” estava vazio. Os cães foram até ele e o cheiraram. Olharam para mim e deram dois latidos. Comida, comida... Certo, entendi, agora era a vez deles. Missão cumprida!!!


(Anselmo Veríssimo)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Uma incrementada para seu entretenimento.

Inaugramos mais um espaço nesse blog e criamos um link (no final do blog) de pesquisa, caso queiram direcionar-se a um determinado texto. É só digitar uma palavra que tenham como referência e a pesquisa os levará aos textos em que a palavra foi usada.

Adicionamos uma seleção de nossos vídeos preferidos, relacionados a música e a futebol. O canal de esporte apresenta vídeos dos quatro principais times do Rio de Janeiro, prezado visitante. 

O outro canal, de música, tem uma seleção de artistas que adoro. Nessa primeira seleção não poderia deixar que colocar a minha diva do samba, Teresa Cristina, o magistral Armandinho Macêdo (com participação do inacreditável Yamandú Costa) e do genial João Bosco. Para interromper o vídeo, clique em "acabei de assistir".

Não faltarão os meus queridos amigos Marvio Ciribelli e Geraldo Côrtes, cujos trabalhos vocês conhecem de nossas postagens regulares.

Enfim, se o texto estiver chato, desinteressante, mal escrito ou coisa que o valha, mude de canal...rs

Continuarei pesquisando as possibilidades desse espaço, para que possa oferecer mais diversão ou alguma novidade a você, meu prezado leitor e/ou visitante.

Para finalizar, mando um beijo enorme e sinceros agradecimentos aos seguidores do nosso espaço: Hanna, amiga de sempre; Márcia, que está gastando o sol no verão do Rio; Ritinha, sempre amável com nossos escritos; Luciana, que vai ficar logo sarada da coluna; Virgínia Vicamf, que escreve magníficamente e a Beatriz Diniz, incansável em defesa do meio ambiente. A vocês sou grato por estarem aqui conosco. Um grande beijo.

Espero que gostem das novidades. E se gostarem mandem sugestões de vídeos, que procurarei atender.

Bom dia a todos e bom feriado aos cariocas.

Saudades.

Estamos muito bem aqui. Eu e Neuma, querida de anos, sua luz. Tudo certinho por aqui, com a graça do Senhor. Temos de tudo. A granjinha tá linda que só vendo! Neuminha fez uma galinha caipira, no jeito. “Cê” ia se fartar! Nossa Neuma bem lembrou...


E as hortaliças? Que “belezura”! Deve de tá com água na boca que eu sei. Almoçamos falando n’ocê. Neuma molhou os olhos duas vezes. Mas, durona, disse que foi cisco. Veja só! Capitão tá danado de ranzinza. Êta cãozinho bom! Mas tá velho, o bom amigo. Vai deixar saudade. Mas não sai de nosso pé aqui no alpendre. Aliás, tomamos aquele café gostoso que só Neuminha faz. Ela colocou aqueles biscoitos amanteigados e nós papeamos até... O assunto? De um tudo, mas principalmente sua vida. Ela estava com nosso bauzinho de fotos. Tinha uma em que você vestia apenas uma fraldinha e esticava os braços com cara de “choramingo”. Ela lembra que nesse dia ocê pedia prá ela não sair prá roça. A querida molhou os olhos de novo. Mas a vida era dura naqueles tempos. Nossa! Neuma deu muito duro comigo prá criar “ocê”. Nem sei se eu estaria vivo se não fosse ela.

Estamos muito bem aqui. A roça tá bem cuidada, as duas vaquinhas dão leite do bom e os bezerrinhos vão ficar uns baitas...

Nós vamos ficando por aqui, filho. Sei que ocê é um bocado ocupado nessa sua vida de doutor. Deve de tá cansado, né filho? Nessa “cidadezona” tem muito prá se fazer. Fica com Deus e Jesus te guarde, filho querido. Não se preocupe, que aqui a gente tá cuidando direitinho um do outro. Ninguém se resfria ou tem dor de cabeça. A única coisa que dói um pouco é essa danada de saudade. Mas isso é coisa que dá em velho, filho. Liga não! Besteira. Sabemos que sua vida é muito ocupada. Nossa Neuminha quer saber: quando vamos ganhar netinhos?

Filho, nossa vida é muito boa e rezamos pela sua saúde e da Marli, sua mulher. Tudo vai ser bom na vida d’ocês. Tá tudo muito bem aqui. Nossa saudade é grande. Uma horinha que der cê aparece, tá?

Êta saudadezinha danada de boa. Fica com Deus, meu filho. Aqui, os anjos nos guardam, cuidam e guiam. Fique bem e seja feliz!

Papai e Mamãe.



E assim, aquele homem muito ocupado leu, mais uma vez, a carta amorosa escrita por seus pais. Carta que não chegou a ler em seu devido tempo. E, com um abraço afetuoso olhou para o filho, que perguntou num tom entristecido:

- Papai, seus olhos estão molhados? – colocando o dedo indicador na lágrima que descia pela face do pai.

- Sim, meu amor. Como os olhos do vovô e da vovó – respondeu triste, o homem ocupado.

(Anselmo Verissimo)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

De quando nos sentimos só.

A passagem.


Amor.
Vida que começa.
Com afeto, carinho e atenção,
No ventre materno a proteção.

A luz.
Vida de mudanças.
Com surpresas e inseguranças,
A família embala os sonhos de uma criança.

A verdade.
Vida que se esvai.
Com seqüela dos medos e transgressões,
A saudade, do lar de nossos pais.


(Anselmo Verissimo)

sábado, 16 de janeiro de 2010

No segundo da vida, a inteligência que se perde...

Por um segundo.

Um segundo. E depois...

O amor;
O calor;
A dor;
O dissabor.

Um outro segundo. E depois...

Caminhar;
Avançar;
Recuperar;
Transformar.

Aquele outro segundo. E depois...

Se atrever;
Se mexer;
Se perder;
Se conhecer.

Em apenas um segundo...

Se confunde tudo;
Se funde tudo;
Se perde a vida;
Se ganha a eternidade...

(Anselmo Verissimo)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ao Senhor.

Não me atrevo ao mêdo:
O mêdo, nunca me deu o que comer.
Não me atrevo ao luxo:
Não me faz melhor, junto ao meu semelhante.

Esqueço a vaidade que infla.
Me curvo ao sábio, que a tudo olha, e sorri,
Sabendo que a vida nos tira das feições,
Acrescentando ao coração dos que aprendem.

Desço aos mais fracos e com eles repouso.
Quero seu aconchego e carinho,
Pois a coragem dos fracos reside no seu amor à vida.
Apesar dos covardes!

Me dê água e um pouco de pão.
Sombra e um abrigo, quando frio.
Sol, vindo do oriente com sabedorias,
E as chuvas, que revitalizam o solo que nos alimenta;
Dá-nos a paz...

(Anselmo Verissimo)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Simples.

Um dia, li uma frase que dizia mais ou menos assim: "só sabemos aquilo que sentimos." Foi escrita em uma crônica do imortal Arthur da Távola. Sempre recordo esta frase. Principalmente quando tenho que fazer alguma observação a fatos ou personalidades.

Existem situações para as quais não estamos preparados. E nunca estaremos. Nem mesmo se passarmos décadas sentados em bancos acadêmicos. Parece forte? Pretendo que pareça. Imagine: não foi sentado em bancos acadêmicos, apenas, que os grandes homens fizeram a história. Mas, por terem sentado neles, muitos homens, fantásticos também, conseguiram fazer o registro fiel daqueles fatos. O que busco com essas afirmações, pelas quais me responsabilizo inteiramente, é mostrar que a necessidade, e a forma de satisfazê-la, moldam o caráter; a personalidade.

Um homem simples, sem a cultura acadêmica, pode ser um grande líder. Um homem culto, moldado nos berços da fortuna e agraciado com as oportunidades, pode ser um corrupto, ladrão ou coisa que o valha. Depende de como viveu e foi "educado". E aí vem a questão a se abordar: de fato, o que é educação? Qual a forma efetiva de se educar para o bem?

Meus prezados leitores! Quem sente fome, passa por privações materiais e afetivas, luta contra a deficiência cultural e sobrevive ao mundo globalizado, sendo reconhecido como celebridade internacional, tem alguma educação? (vide questão no parágrafo anterior)

Vou ficar por aqui.

Este pequeno texto tem a intenção de abordar os fatos como são. As afirmações nele contidas cabem a qualquer situação e não a um caso específico. Mas, óbviamente, vocês percebem a referência. Que tratem dela, aqueles que se dispuserem ao diálogo. O espaço é aberto, democrático, simples, sem sofismas (rs...adoro essa palavra).

Portanto, dou uma dica àqueles que preferem a referência a que o texto "possivelmente" remete: leiam o texto da Hanna (bem vinda ao lar, Hanna! rs), no Sobretudo (http://sobretudoqualquercoisa.blogspot.com/: Com certeza terá sido bem pior...). Dá para se ter uma pequena idéia da emoção dos fatos reais de uma vida.

Se refletirmos sobre nossos conhecimentos e experiências de vida podemos estabelecer uma noção de respeito ao ser humano, independente da posição que ocupa. Ninguém é, simplesmente, a posição em que está, mas sim aquilo que viveu.

Ah! Ainda não vi o tal filme. Nem sei se assistirei logo. Não estou preparado, no momento,  para ver coisas que possam remeter ao passado...rs.


É! Está dito.

Um grande beijo de 2010 no coração todos.

Por um galho de Arruda.

MÁSCARA.


Estou aqui.
Sou eu!
Claro que sim.
Não! Não eu.

Mas...
Por favor, acredite.
Pense!
Não! Não eu.

Olha, pode até...
Foi um equívoco.
Sim, talvez.
Não! Não eu.

Gente! Tá bom:
Errei, sim.
Entendo.
Mas é que sou "ingênuo"..."desculpe!"

Uma,
Duas,
Outra vez.
Não! Não eu.

(Anselmo Verissimo)

sábado, 2 de janeiro de 2010

Glória, 2010!!!!!!!!!!!!

Meus queridos e prezados leitores.

Hoje, 02 de Janeiro de 2010, venho desejar a vocês um ano maravilhoso. A luz de Deus estará presente na vida de todos trazendo paz, saúde, harmonia e serenidade. Que nossos sentimentos, pensamentos e ações sejam guiados pelos ensinamentos superiores de nosso glorioso Pai.

Não nos esqueçamos de agradecer por cada dia, por cada sorriso que colhermos e por cada alegria que proporcionarmos. E, como orou meu grande e amado guia espiritual, São Francisco de Assis: "...dar mais que receber...pois é dando que se recebe..."


FELIZ 2010, MEUS AMIGOS, LEITORES, VISITANTES E TODOS AQUELES QUE ESTEJAM DISPOSTOS A COMEÇAR UM ANO DE SUCESSO ESPIRITUAL, TRABALHANDO DURO POR UM MUNDO MELHOR.

Anselmo Verissimo

Das questões do amor.

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...

O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.

No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.

Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.


William Shakespeare