terça-feira, 16 de março de 2010

Os Mistérios Divinos.

Sofrido, o grande mestre subiu ao topo do monte e chorou. Eram tantos os transtornos. "O que fazer?", pranteava.
"Pai, como fazer a humanidade entender os princípios básicos da verdade: Amar a Deus, sobre todas coisas e ao próximo como a si mesmo?
Pai, aí encerram-se tantas verdades...qual é a busca do ser humano?
Pai, em que ponto os mestres estão errando, que não conseguem disseminar esta verdade?
Pai, a palavra não está correta ou o tom está incerto?
Pai, será que o princípio da verdade é a verdade contida em nós mesmos?
Pai, não somos crentes destes ensinamentos?
Pai, estamos apenas repetindo uma mensagem, sem usar de clareza e bons exemplos?
Pai, é mesmo tão difícil o entendimento da verdade e apenas poucos são capazes?
Pai, estamos agindo no todo que não entende, quando na verdade deveríamos multiplicar pelos que conseguem escutar?
Pai, será que aqueles que escutam poderão multiplicar?
O mestre ergueu-se e sorriu. "Pai, desculpa este teu filho. Tantas perguntas e tanto lamento. Grato pela Tua luz".
E desceu o grande monte gelado sendo recebido pelos discípulos com afeto e atenção. Todos olhavam para ele, em busca de respostas. Silenciosos, aguardavam algo daquele ancião repleto de saber.
E ele disse:
- Assim foi escrito: "A Glória de Deus é tão sublime e está tão acima da compreensão humana, que deve permanecer um mistério eterno. Entretanto, há três maneiras pelas quais o homem pode perceber a Glória parcial de Deus. A primeira é a visão que o olho pode ter de longe, mas só um raio infinitesimal penetra nele. Não é o bastante para banhar a alma do homem. Assim, a primeira visão permanece como algo visto de muito longe e apenas com o olho exterior. A segunda maneira é aquela em que o olho submerge sem a devida preparação em um resplendor que não é capaz de suportar. Ofuscado e confuso, vê-se obrigado a impedir por si mesmo a entrada do grande resplendor; depois de só ter sido capaz de abarcar um raio diminuto da Visão Suprema. A terceira maneira é quando a visão é olhada como em um espelho brilhante. Nele o olho pode permanecer, enchendo-se tão completamente de beleza que, por fim, esta penetra no ser mais íntimo e inunda a alma com uma luz perene. E a alma, tendo apreendido o significado interior da luz que a inunda, pode se aquecer em sua radiança e se satisfazer a todo momento com a alegria que ela transpira.
Mas a essência de Deus está tão acima da inteligência do homem e dos anjos, que ninguém pode chegar perto o bastante para compreendê-la. Os seres que vivem aqui embaixo dizem que Deus está no alto, enquanto os anjos no céu dizem que Deus está sobre a terra. Deus é conhecido por cada um segundo a profundidade de sua própria compreensão. Pois cada homem só pode se unir ao espírito de sabedoria tanto quanto permite a vastidão de seu próprio espírito. E todo homem deve tentar aprofundar seu próprio conhecimento de Deus tanto quanto lhe permita sua própria compreensão. Mas a Essência Divina deve permancer um mistério profundo.(*)"
O mestre abraçou a todos e recolheram-se em oração.
*texto extraído do livro "O ZOHAR o livro do esplendor", passagens selecionadas pelo rabino Ariel Bension (1880-1932), editora Polar.
(Anselmo Verissimo)
É! Está dito. Muito obrigado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário é muito importante. Avalie, critique, fique a vontade.