sábado, 17 de abril de 2010

Niterói, velha aldeia vítima de problemas modernos (O Globo)

Recebi este e-mail e faço a postagem como alerta e ponto de reflexão. Moro em Niterói desde 1995 e pouco dei conta do que a cidade foi se tornando. Lamentavelmente, eu, como outros, temos agora um preço a pagar por essa omissão.
É preciso discutir nossa cidade. Não apenas sua orla magnífica e seus espaços artísticos e culturais, mas também a real qualidade de vida que ela pretende oferecer a seus habitantes. Todos! Em todos os lugares.
Espero que muitos outros moradores de nossa cidade estejam atentos às situações mais críticas de Niterói e levantem suas vozes contra o que for prejudicial ao que chamamos "qualidade de vida".
Essa qualidade é inerente ao bem estar coletivo. Não é possível viver em paz e harmonia, quando sob a marquise de nosso prédio dormem velhos e meninos, homens e mulheres desamparados, esquecidos.
É! Está dito. Muito obrigado. Leiam e coloquem em discussão.


Para quem acha Niterói isso tudo.......
ESSE É O TEXTO QUE TRADUZ A NOSSA "CIDADE MODELO", COMO OS POLÍTICOS QUE NELA IMPERAM A ANOS GOSTAM DE DIZER!

Muito bem dito, nesse artigo, os problemas que sofremos aqui.
Penso que, de agora em diante, estarão vendo a situação de outra maneira. Afinal, TODOS sofreram o que vem acontecendo a muito tempo na RO (Região Oceânica) e em Niterói!




Niterói, velha aldeia vítima de problemas modernos



Publicada em 08/04/2010 às 18h11m


Lamentavelmente, coube à natureza revelar a verdadeira face da cidade de Niterói, que, há anos, é conhecida pelo embuste de "4ª melhor qualidade de vida do Brasil". Tal título, engendrado com o objetivo de sobrevalorizar impostos municipais e o próprio custo da construção civil local, redundou na explosão do mercado imobiliário, inclusive com o vergonhoso aumento do gabarito dos edifícios por toda a cidade, sem que houvesse qualquer estudo do impacto ambiental e humano que daí adviriam.


Hoje, Niterói é uma cidade densamente povoada, mas que manteve a infraestrutura de 30 anos atrás. As consequências são engarrafamentos por todo o município, poluição do ar, pelo aumento de veículos, e dos rios e da baía, por força do aumento do despejo de esgoto residencial. Grande contradição: apesar do aumento populacional, Niterói não aumentou sua oferta de empregos e de lazer, o que a fez permancer à sombra da capital e manter seu triste status de "cidade-dormitório".


A favelização galopante da cidade ao longo dos últimos 20 anos não apenas deixou de ser contida pelo Poder Público, mas, na verdade, foi por ele estimulada. Não há notícia de propostas de realocação das ditas "comunidades" das áreas ilegais. Muito ao contrário, ações superficiais e de cunho eleitoreiro do Poder Público ganham a simpatia dos moradores desses locais, que se transformam em tristes currais eleitorais de políticos inescrupulosos.



A Região Oceânica, cercada pela belíssima Mata Atlântica e dona de lindas praias, como a nacionalmente conhecida Itacoatiara, é o triste retrato do abandono pelo Poder Público: a grande maioria das ruas não possui pavimentação, nem recebe qualquer tratamento por parte da prefeitura após as chuvas cotidianas. O resultado são vias completamente esburacadas e inundadas. No entanto, o IPTU da região é um dos mais altos de toda a cidade!


Com os desmoronamentos dos útlimos dias, os moradores da Região Oceânica viveram a surreal situação de ficarem prisioneiros em seu próprio bairro, já que as poucas saídas do local ficaram bloqueadas. Aqueles que trabalham ou tinham outros compromissos fora dali viveram o absurdo de não poder se deslocar. Esse fato, contudo, não ocorreria se o projeto, que remonta à década de 1970, da construção do Túnel Cafubá-Charitas, de apenas 1,2 Km de extensão, houvesse saído do papel.


Como assinalado no início do artigo, foi da natureza o papel de revelar a verdade sobre a cidade de Niterói, pois salta aos olhos que não se ouça falar que as autoridades constituídas (Ministério Público, Câmara de Vereadores, OAB etc), as quais, constitucionalmente, têm a competência para controlar os atos do Executivo. Niterói, outrora orgulhosa capital do antigo estado do Rio de Janeiro, permanece, em pleno século 21, ao menos em termos políticos, como uma velha e decadente província, cheia de vícios e reprováveis hábitos como o conchavo e o "toma-lá-dá-cá". É como se o cacique Araribóia, cuja estátua, de tanto ter permanecido voltada para a cidade do Rio de Janeiro, alí, às margens da Baía da Guanabara, houvesse se esquecido dos acontecimentos em sua pequena aldeia.



http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/04/08/niteroi-velha-aldeia-vitima-de-problemas-modernos-916283012.asp

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