sexta-feira, 2 de julho de 2010

Você já jogou futebol de verdade?

Não sei se devemos condenar o Dunga. Futebol tem tantas maneiras de ser jogado. E nem sempre vence o melhor. E o objetivo do jogo é ganhar. Bater o adversário. Mas, para isso...
Bem, para isso se deve primeiro jogar futebol. E o jogo de futebol é um misto de: jogar e não deixar jogar.
Fazer essa química funcionar é que se torna o grande mistério a ser desvendado neste esporte que amo. Alguns, como o Têle Santana (Copa de 1982), tendem a um futebol vistoso, de muita técnica e talento individual. E perdem para equipes laboriosas, de muita força tática e energia mental (aquela Itália, de 1982). Não é fácil para o treinador. São pessoas que possuem suas convicções e critérios, o que é muito particular. Cada pessoa tem os seus. O ser humano é falho.
A cultura futebolística do Brasil é o "joga bonito". Sempre fomos o melhor futebol do mundo, em termos técnicos.
Qualquer garoto brasileiro, de pelada, chega a um clube europeu e, se bem trabalhado, logo acontece como jogador profissional. Temos alguns exemplos de jogadores que nem conhecemos no Brasil e fazem sucesso em clubes de outros países, e até seleções. Na Alemanha, desta Copa, temos o Cacau, por exemplo.
Então, para o brasileiro é bem difícil aceitar uma seleção apenas tática, guerreira e determinada. Se não houver o jogo bonito não está muito bem. Mas isso é cultura. E a característica do Brasil sempre foi essa.
Um técnico da Alemanha, Voigth, que foi o lateral direito da seleção campeã de 1974, e que parou o craque holandes Cruyff, disse o seguinte, a cerca das dúvidas de um determinado técnico da seleção brasileira para convocar 22 jogadores: "que ele convoque os seus 22 melhores. Pois com os que sobrarem faço uma seleção campeã do mundo".
Eu creio que isso resume bem o que aconteceu com nossa seleção. O Dunga usou seus critérios e características pessoais, sua cultura futebolística e suas convicções táticas e técnicas. Fez, de acordo com sua consciência e suas crenças. Um homem não pode ser condenado e execrado por isso. Deve, sim, ouvir as criticas e aprimorar o que é necessário. Crescer na adversidade, usando o resultado negativo como um degrau para o sucesso.
Não aprovo totalmente a equipe levada para a África do Sul. Mas entendi a proposta de jogo do Brasil. Por conta de uma falha do melhor goleiro do mundo (!) nossa seleção perdeu o controle dos nervos e da partida, sendo derrotada por uma grande equipe, que estava dominada no jogo.
Mas isso pouco importa, não é mesmo? Futebol é resultado (?) e o nosso não foi o esperado (?). Notaram? As interrogações...
Pois é, amigos! Se vocês já jogaram futebol de verdade, entenderão as interrogações. Para quem só torce, ou assiste, elas dizem o óbvio: o futebol, como a vida, é cheio de interrogações. Quem há de saber o que é certo?
É! Está dito. Muito obrigado e até 2014, no Brasil.

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