quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

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Quando o som da verdade ensurdece,
Abatendo o tolo em pleno vôo,
Faz o seu coração chorar,
Desejando estar no ventre de novo.

É a alma pequena, acovardada
Na vergonha dos sentimentos mesquinhos.
É a sabedoria bisonha e pueril,
De desejos agoistas e peçonhentos.

Quando a bravata cessa,
E o olhar esbugalhado de temor estremece,
A medonha figura crepuscular
Se derrete e some esgoto a dentro.

É a tolice insolente e bocejante,
Como pudor desnudado em praça pública,
Revelando a alma que anda na obscuridade,
À espreita de suas próprias limitções infinitas.

(Anselmo Verissimo)

3 comentários:

  1. Que poesia forte! Me sentir mergulhada num mar bravio de ondas imensas! Tipo, ressaca de Itacoatiara.. ali na pedra...rsss
    Otimo 2011 querido!, bjusss

    (concluindo... forte mas bela poesia!)

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  3. Anselmo,
    O esgoto segue seu curso, muitas vezes de forma clandestina e por ele, muitas figuras vivem, circulam (ex.; bandidos do Alemão). Elas transitam tranquilamente em meio ao odor fétido, na obscuridade, na insalubridade, pois é daí, que extraem o essencial para a manutenção e perpetuação de suas vidas.
    Fora desse ambiente, provocam medo, terror, pavor, o que dá a impressão de uma valentia genuína...
    Então, “... quando a bravata cessa, ... a medonha figura crepuscular ... se derrete e some esgoto a dentro...”.
    Belo poema, apesar de pesado, reflexivo!
    Beijo, Márcia.

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