quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Viagem incerta.

Ferros retorcidos. Entulhos. Fuligem. Poeira. Uma hecatombe, tsunami. Pedaços de vida espalhados. Sonhos e projetos destroçados. Ar pesado, insuportável, deixando a mente confusa e olhos embaçados. Sede, suor, calor, garganta seca. Narinas sangrentas. Vida sofrida. Vida ardida.
Vida, vida...
O itinerante prossegue, peregrino desolado. Calos, fraquezas, inanição. Tudo suporta em sua busca desenfreada pelo ar respirável, água potável, brisa agradável e abrigo. O caminhante se desloca inseguro pelos trechos incertos e nebulosos. Chora a natureza devastada. O coração amargurado o conduz aos recantos da alma que um dia foi feliz. Refrigera sua alma a lembrança da leveza e encanto da flor encarnada. A amiga perfumada e bela, de cor mágica e viço. A sutileza felina do mais puro amor.
Foge o viajor para escombros protetores, pois o mêdo o aterroriza e seus pensamentos são traidores de sua saga, de sua sina.
Ele chora o tempo perdido. A natureza morta. A palidez do olhar. Ele treme de mêdo e frio. Ele clama paz no seu interior e força em seu coração para seguir. Adormece.
Sim, aqui começa mais um dia. Mais passos a diante. Busca, inteligência, clareza e vivacidade. Ainda há tempo. Ainda em tempo. Contratempo. A mais, apenas a vontade de seguir. Encontrar a força vital que renova a esperança de continuar, sempre em frente.
Seguir em frente e não voltar o olhar. Andar e manter firme a atenção no hoje, dando uma leve olhadinha no amanhã.
Vai, segue. Segue firme vento em popa. Não tema, se é teu coração que te guia. Segue. Não tema. Ame!
É! Está dito. Muito obrigado.
(Anselmo Verissimo)

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