quinta-feira, 22 de abril de 2010

Gente amiga deste blog, vamos ajudar. O INCA precisa!

Fundação do Câncer promove show beneficente 'Com você, pela vida' 2010.


25/04/2010 Fundação do Câncer


Maria Gadú, Joanna, Rogéria, Alessandra Maestrini e Janaína Azevedo dividem o palco com Fred Mayrink.


Ingressos já estão à venda.


Artistas de diversos estilos se reúnem em prol da prevenção e do controle do câncer na segunda edição do show beneficente “Com você pela vida” promovido pela Fundação do Câncer. O cantor e diretor de novelas Fred Mayrink, idealizador da iniciativa, convida Maria Gadú, novo sucesso da MPB, Rogéria, as cantoras Joanna e Taryn Szpilman e as “cantrizes” Alessandra Maestrini e Janaína Azevedo para dividir o palco.

O show acontece dia 25 de abril no VIVO RIO e os ingressos já estão sendo vendidos. Até o dia 9 de abril, os convites podem ser adquiridos com 50% de desconto por R$ 35. Após essa data, o preço será R$ 70. A renda obtida será revertida para projetos realizados no Instituto Nacional de Câncer (INCA). Os interessados podem entrar em contato pelos telefones (21) 2551-4912 e (21) 2522-2518, no horário de 9h às 18h, ou pelo e-mail comvocepelavida@cancer.org.br.

Técnicos, produtores e artistas participam voluntariamente da causa, assim como o diretor geral do show, Jorge Fernando. O repertório será de grandes sucessos da música internacional. Estão incluídas canções Unforgettable, de Nat King Cole, El dia que me quieras, de Carlos Gardel, La vie em rose, imortalizada na voz de Édith Piaf, Hier Encore, de Charles Aznavour, e sucessos de Frank Sinatra, como Come fly with me, Fly me to the moon e New York, New York. A Rio Jazz Orchestra, regida por Marcos Szpilman, acompanha os artistas.

No ano passado, Alessandra Maestrini, Juliana Paes, Marina Elali, Marjorie Estiano e Rodrigo Lombardi participaram do show que reuniu mil pessoas na mesma casa de espetáculos. A meta para este ano é atingir 2.200 lugares. “Mobilizar os artistas e a sociedade para a prevenção e o controle do câncer é o nosso principal objetivo. A segunda edição do show mostra o quanto a classe artística está envolvida com o nosso projeto”, destaca o superintendente da Fundação do Câncer, Jorge Alexandre dos Santos Cruz.

Para Fred Mayrink, idealizador do projeto, o show é uma oportunidade de aproximar as pessoas dos projetos desenvolvidos pela entidade filantrópica. “Com uma iniciativa como esta conseguimos dar visibilidade ao tema câncer. A continuidade dessas ações depende da colaboração de cada um de nós”, lembra.

Apoio - Além do trabalho voluntário de artistas, produtores e técnicos, a Fundação do Câncer conta com a parceria da BD, empresa global de tecnologia médica, que comprou uma cota de patrocínio do show.

A BD é uma empresa global de tecnologia médica focada em aprimorar a terapia medicamentosa, melhorar o diagnóstico de doenças infecciosas e promover a descoberta de medicamentos.

Serviço
Dia: 25/4/2010
Horário: 19h30
Preço: R$ 35 até o dia 9 de abril; R$ 70 de 10 a 25 de abril
Endereço: Vivo Rio – Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo – Rio de Janeiro

Como comprar os ingressos:

Os ingressos podem ser adquiridos pelos telefones (21) 2522-2518 e (21) 2551-4912 (tel/fax) no horário de 9h às 18h ou pelo e-mail comvocepelavida@cancer.org.br.

Enc: David Coimbra, coluna em ZH!!!

Artigo publicado no Jornal ZERO HORA de Porto Alegre, que bem retrata o momento atual e ainda serve de subsídios para a História do Brasil Não Escrita!!!!!


O cortiço - David Coimbra, coluna em ZH
Ao caminhar por entre as artérias do Monumento ao Holocausto, no coração de Berlim, a cada passo aumentava minha admiração pelos alemães. Ali estava um povo que não se esquivava de suas culpas. Ao contrário, as purgava em público e em voz alta.
David Coimbra é jornalista e escritor (Wikipédia)


Os mesmos passos me faziam pensar nos brasileiros. Nós aqui, ao que parece, não nos aflige culpa alguma. Do que o brasileiro se envergonha, afora a derrota na Copa de 50? Pois é. Mas nós temos do que nos envergonhar. Temos também o nosso nazismo. O nosso holocausto. Chama-se escravidão.


O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão, mas nem ao aboli-la lavou-se de sua desonra. Agora mesmo, no Rio de Janeiro flagelado, lateja essa dor. Pois quem são esses que morrem sufocados pela terra que se desprende dos morros cariocas? Descendentes de escravos e ex-escravos expulsos do Centro quando o Rio se transformou no que hoje é.


Você leu O Cortiço, de Aluísio Azevedo? Bom livro. Não devia ser obrigatório nas escolas, devia ser tratado como romance para iniciados. O Cortiço conta a história de um imigrante português que, como se dizia então, “amasiou-se” com uma escrava para somar suas economias às dela. Juntos, os dois e seus dinheiros, melhoraram a bodega dele e investiram em quartos de aluguel. Montaram um cortiço aos moldes de tantos que havia no Rio do século 19, o mais célebre deles chamado Cabeça de Porco, de propriedade do Conde D’Eu, ilustre marido da Princesa Isabel. O que não deixa de ser irônico – entre os 4 mil moradores do cortiço do marido, havia inúmeros ex-escravos libertados pela esposa.


Essa gente não teve mais onde morar a partir do começo do século 20, quando a prefeitura do Rio botou abaixo os cortiços. O prefeito Pereira Passos, inspirado nas reformas feitas em Paris décadas antes, rasgou avenidas, abriu largos arejados, mudou a face da cidade. Os moradores dos cortiços, muitos deles, foram para a zona norte. Outros, que precisavam morar perto do Centro, onde trabalhavam para os senhores brancos e bem alimentados, esses ficaram por perto: subiram os morros do entorno, construíram casebres com as sobras das demolições protagonizadas por Pereira Passos, formaram as favelas como as conhecemos.


Essa gente pingente das favelas não foi libertada da escravidão; foi atirada à liberdade. Para eles, nunca houve planejamento, muito menos investimento. Hoje, Lula dá certa atenção a esses desgraçados. Não é o ideal, claro que não. Porque não é uma ajuda estratégica; é uma ajuda tática. Mas, ao menos, é algo. Para quem não tinha nada, talvez seja muito. Por isso, Lula foi amassado pela vaia do Maracanã, na abertura do Pan em 2007. Vaiaram-lhe os brancos e bem alimentados, os moradores da planície, que olham para o alto, para o morro, com medo.


Hoje, os brancos e bem alimentados da planície olham de novo para o morro. Aquela gente parda, aquela gente que passa os dias de bermuda e sem camisa, que mora em barracos construídos com pedaços de qualquer coisa, aquela gente teima em chamar a atenção. Às vezes roubando, às vezes matando e às vezes, como agora, morrendo. Inconvenientes, é o que são. Vivem a nos lembrar que em nós, também, pode haver culpa.


Fonte: Zero Hora - Porto Alegre, RS - 09 04 2010
Site:
www.zerohora. com.br - Acesse o artigo original