quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

volver al pasado

Dia vinte e tanto, do tanto, de mil novecentos e um tantico.

Chapéu panamá,
Terno de linho,
Cigarrinho de palha no dedo,
Gomalina no cabelo.

Criança na calçada,
Polícia desarmada,
Professor que é doutor,
Médico que é professor.

Mãe que organiza,
Mulher que educa,
Esposa que ama,
Amiga que escuta.

Ar que se repira,
Tempo que se aproveita,
Futebol que é de amigos,
Amigos que se respeitam.

Sol que não machuca,
Mar em que se mergulha,
Maraca , " O Maior",
O mundo melhor.

Volta, de volta,
Essa volta que a vida dá.
Volta, de volta,
E vem de novo sonhar.

(Anselmo Verissimo)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Meio assim...

Sou cinza,
Escombro,
Cicatriz,
Saudade.

Impetuosidade,
Liberdade,
Alegria,
Dignidade.

Conhecimento,
Inocência,
Confiança,
Autoridade.

Sou o senhor dos meus passos e caminho com tranquilidade pela vida que escolhi.
Sou o encanto de sonhos descabidos e o suporte das vidas necessitadas.

Sou esteio,
Penumbra,
Luz,
Carinho.

Amor,
Ilusão,
Flor,
Espinho.

Paz,
Tormento,
Decisão,
Afastamento.


Não caminhe o meu caminho, não adentre ao meu camarim.
Não me sonhe o seu sonho, não cobre seu amor a mim.

Sou etéreo,
Incandescente,
Imponderável,
Transigente.

Mas não sou sua vida e não tenho lugar em ti, quiçá em mim...
Sou o eu de mim mesmo, que a vida cuida e leva...

É! Sou, talvez, assim.

(Anselmo Verissimo)