quinta-feira, 31 de março de 2011

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Amor a ferros.

Estará preso a sete chaves,

Enclausurado em masmorra úmida.

Isolado, no infinito secular das profundezas do sonho,

Viverá intocado, maltrapilho, desprezado.

Não fará vítimas, aliados ou subalternos.

Imobilizado estará.

Olhará em toda volta e apenas o vazio verá.

O silêncio será companheiro eterno e

A mais pura beleza não mais te alcançará.

Tua súplica será desprezada e a pena muito dura.

Não mais sairá.

Moribundo, tua agonia não será ouvida,

Tua dor não lamentada e a existência esquecida.

Foste mel, sal, nuvem, paraíso.

Tinhas o doce e a força de um gigante.


Eras tudo...

Vida, alvoroço, juventude...

Um sonho.

O desejo mais profundo.

O amor de todo mundo.

Agora,

És pó!


(Anselmo Verissimo)

sábado, 26 de março de 2011

Encontrando a liberdade.

Abriu a porta e olhou o infinito.
Dentro da casa, o silêncio,
O vazio. A dor de um adeus
Dolorido, angustiante, sufocante.
O ar pesava nos ombros, como
A cruz dos desencontros e enganos.
A pele ardia, o pavor era extremo, no duro
Caminho rumo ao desconhecido. Abandono.
As entranhas corroíam-se. Medo:
Do frio, das sombras, dos arbustos.
O colo não mais a amparar.
Nem o afago, o olhar aquecido de amor...o abraço!
A cama quente sobre solo firme
E a luz de amor de um coração...foram-se.
A porta estava aberta e eram tantas recordações.
Os sons ainda chegavam fortes aos ouvidos.
Gemidos de prazer e felicidade,
Risos, sorrisos encantados de alegria e
Orações a elevarem o espírito.
A porta aberta esperava o primeiro passo.
O amor de deixar o amor seguir livre, liberto.
No canto da sala, lágrimas, desejo de felicidade,
Uma prece de proteção ao viajor
E súplicas de coragem para viver ali, só.
Quem sabe um dia, verá a porta se abrir
E o amor adentrará calmo, sorridente,
Como se o tempo fosse um simples ponto no universo,
Cujo o piscar de olhos mais rápido não pudesse medir.
Daí, o abraço, o afago, o colo, a lágrima, o sono e a luz
Da vida, a revigorar a liberdade mais querida:
O amor que se sabe eterno.

(Anselmo Verissimo)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Poesia triste.

Não é o que te entrego
E nem o que me trazes.
Nem tanto pelo cheiro,
Ou teu olhar encantador,
Mas por uma angustiante
Espera. Dura, sofrida, cruel.
Nem tanto pelo que me trouxeste,
E sim por aquilo que previ.
Descartando a pior hipótese,
Encontrei o sabor doce da ilusão.
Enamorei-me por um conto e também pelo canto.
Deliciei-me com teu sorriso brando.
Nem tanto pelo que sou,
Ou como estou.
Mas, ainda assim, tentarei todas as vezes,
Numa única vez.
E partirei.
Nem tanto como vou, mas por não voltar,
Deixarei minha dor voar.
Caminharei em nuvens espessas para fugir de ti.
Alcançarei o cume do universo para de ti me ocultar.
Amarei o doce som da tua voz em minhas lembranças e dançarei
No sonho do teu corpo quente e macio a me querer.
Um tanto pelo que quero e um pouco pelo que sei,
Deixarei para ti o amor dos homens e a luz da saudade.
Estarei aqui, no vago constante de um sonho empoeirado
Que mofará na prateleira, junto a esta poesia triste e mal acabada.

(Anselmo Verissimo)

sábado, 12 de março de 2011

Se é que será.

Corta,
Entorta,
Conforta e
Desbota.

Tonta,
Conta,
Afronta,
Defronta.

Confronta,
Tonta e
Conforta
A afronta.

Que corta,
Torta e
Tonta,
Tudo que encontra.

Encanta e
Desbanca a
Banca
De quem já não encanta.


(Anselmo Verissimo)