quinta-feira, 31 de março de 2011

Amor a ferros.

Estará preso a sete chaves,

Enclausurado em masmorra úmida.

Isolado, no infinito secular das profundezas do sonho,

Viverá intocado, maltrapilho, desprezado.

Não fará vítimas, aliados ou subalternos.

Imobilizado estará.

Olhará em toda volta e apenas o vazio verá.

O silêncio será companheiro eterno e

A mais pura beleza não mais te alcançará.

Tua súplica será desprezada e a pena muito dura.

Não mais sairá.

Moribundo, tua agonia não será ouvida,

Tua dor não lamentada e a existência esquecida.

Foste mel, sal, nuvem, paraíso.

Tinhas o doce e a força de um gigante.


Eras tudo...

Vida, alvoroço, juventude...

Um sonho.

O desejo mais profundo.

O amor de todo mundo.

Agora,

És pó!


(Anselmo Verissimo)

Um comentário:

  1. Sem palavras! Um dos mais bonitos poemas que já escreveu...
    Sem palavras...

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