terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Elite do bem. (com sabor de fruta mordida!)



Ao cavaleiro peregrino foi dada a missão.
Em sua senda não se conhece o mêdo.
Nas suas mãos a nobreza fria de aço afiado.
O coração vislumbra com clareza a maldade a ser rompida.

Os campos são limpos, puros e denotam brandura.
Mas os sons que rugem junto às encostas são cruéis,
Falsos, encantadoramente mau, na tentação às mentes sãs.
O homem do bem, sobre seu animal , o fará calar.

O uivo intenso atemoriza o ser dócil e sem proteção.
Para o viajante do bem, incita ao embate mais sagaz.
Não é a este ser luminoso que o gemido do mal intimida.
Mas a si próprio, quando ameaçado de ser desvelado.

O som maléfico se encobre sob os dizeres do bem.
Conduzem o tolo pelos campos floridos e de águas frescas.
Embarca-o nas viagens suntuosas de delírios e prazeres.
Devastam suas virtudes, invadem e sorvem sua vergonha, sua paz.

O brilho da lâmina cintilante corta o ar, com surpreendente autoridade.
Mais uma rajada pelas encostas empoeiradas e começam a tombar pedras.
O cavaleiro suplica forças e investe determinado, incessantemente forte, altivo.
O mêdo sobrevém ao mal, que não luta, pois a surpresa é a força contida na luz.

A maldade não termina. Apenas fica recolhida.
Espreitando e tentando tímidos sopros nas encostas.
Aquele cavaleiro atento a mira, corre seu rastro e a espanta com breve menear de sua nobreza.
Paladino dos campos de amor e felicidade, beleza e bondade, rondará eternamente o caminho.
E fará aquele estrondo incômodo, impuro e traiçoeiro corroer as entranhas solfejando a própria derrota.

(Anselmo Verissimo)

Cavaleiro peregrino.

Suor, flor,
Gota de amor
No branco lençol de seda.
Gozo, furor, prazer,
Comida quente na mesa.

Mar, energia e carinhos.
Pelo caminho, sêmen, prazer.
Língua quente, intrépida, a percorrer o corpo
Contorcido em espasmos loucos e convulsivos.
Chá quente de ervas verdes, suave amargor.

Colo, ombros, coxas e costas nuas
Protegem o sono repousante, com sutil
Calor e emoção insone, revigorante, de
Cavaleiro tenaz, peregrino protetor
A vigiar o leito quente e sagrado do amor.

(Anselmo Verissimo)