segunda-feira, 21 de março de 2011

Poesia triste.

Não é o que te entrego
E nem o que me trazes.
Nem tanto pelo cheiro,
Ou teu olhar encantador,
Mas por uma angustiante
Espera. Dura, sofrida, cruel.
Nem tanto pelo que me trouxeste,
E sim por aquilo que previ.
Descartando a pior hipótese,
Encontrei o sabor doce da ilusão.
Enamorei-me por um conto e também pelo canto.
Deliciei-me com teu sorriso brando.
Nem tanto pelo que sou,
Ou como estou.
Mas, ainda assim, tentarei todas as vezes,
Numa única vez.
E partirei.
Nem tanto como vou, mas por não voltar,
Deixarei minha dor voar.
Caminharei em nuvens espessas para fugir de ti.
Alcançarei o cume do universo para de ti me ocultar.
Amarei o doce som da tua voz em minhas lembranças e dançarei
No sonho do teu corpo quente e macio a me querer.
Um tanto pelo que quero e um pouco pelo que sei,
Deixarei para ti o amor dos homens e a luz da saudade.
Estarei aqui, no vago constante de um sonho empoeirado
Que mofará na prateleira, junto a esta poesia triste e mal acabada.

(Anselmo Verissimo)