sábado, 26 de março de 2011

Encontrando a liberdade.

Abriu a porta e olhou o infinito.
Dentro da casa, o silêncio,
O vazio. A dor de um adeus
Dolorido, angustiante, sufocante.
O ar pesava nos ombros, como
A cruz dos desencontros e enganos.
A pele ardia, o pavor era extremo, no duro
Caminho rumo ao desconhecido. Abandono.
As entranhas corroíam-se. Medo:
Do frio, das sombras, dos arbustos.
O colo não mais a amparar.
Nem o afago, o olhar aquecido de amor...o abraço!
A cama quente sobre solo firme
E a luz de amor de um coração...foram-se.
A porta estava aberta e eram tantas recordações.
Os sons ainda chegavam fortes aos ouvidos.
Gemidos de prazer e felicidade,
Risos, sorrisos encantados de alegria e
Orações a elevarem o espírito.
A porta aberta esperava o primeiro passo.
O amor de deixar o amor seguir livre, liberto.
No canto da sala, lágrimas, desejo de felicidade,
Uma prece de proteção ao viajor
E súplicas de coragem para viver ali, só.
Quem sabe um dia, verá a porta se abrir
E o amor adentrará calmo, sorridente,
Como se o tempo fosse um simples ponto no universo,
Cujo o piscar de olhos mais rápido não pudesse medir.
Daí, o abraço, o afago, o colo, a lágrima, o sono e a luz
Da vida, a revigorar a liberdade mais querida:
O amor que se sabe eterno.

(Anselmo Verissimo)