segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fotografia na tela.

A fotografia insinuava-se na tela,
Criando uma sensação de calor e êxtase.
O sorriso inebriante mantinha o descompasso
Na respiração e aumentava aquela sensação estranha
De ansiedade e medo, insegurança e prazer.
Era uma fotografia na tela. Mas, viva.
O olhar era vivo.
O colo irradiava força, acolhimento, despertava o desejo
E fazia secar a boca, fustigando a calma.
O olhar!
Era vivo.
Mas era uma fotografia na tela.
Uma imagem que trazia, tão próximo, o futuro.
Qual futuro?
Quão bom pode ser o tempo depois?
Em que momento aquela imagem irromperia no abraço perfeito,
No encaixar milimétrico de duas almas? Duas vidas?
Vida?
Era um sonho.
Uma fotografia na tela.
Uma imagem bela,
Na tela e no desejo que aproxima, despertando o nosso interior
Para as mais profundas necessidades do outro. Daquele que,
Mesmo ausente, nos fornece o mapa de nossa mudança,
O abandono de nossos medos e a alegria contida por nossas angustias.
A tela.
A imagem bela. Ela,
A encantar o presente com sua luz que ilumina o futuro.
Futuro! Na tela...uma fotografia tão bela.
Um rosto harmônico, feliz.O carinho intrínseco no conjunto daquela
Imagem viva e atraente.
O perfume a passear pela mente,
Produzindo a sensação de suavidade da tez, nos lábios.
A imagem.
A tua imagem! Que hoje desenho em meus pensamentos e
Que faz meu coração se alegrar.
Você, que num passe de mágica, saindo da tela, adentrou
Ao meu mundo, fazendo pulsar músculos nunca percebidos...
Aquela tua imagem que nunca cri ser a verdade mais cristalina,
O sonho mais vivo e o desejo mais querido,
É o sentido, que faz girar a roda da vida.
Da minha vida.
O teu querer é o meu alimento. A tua presença o meu sentimento.
E o sonho, uma realidade a se desenhar na tela.
Naquela tela, tão bela.
Tão minha...nossa.
A tela da vida, que me trouxe você.

(Anselmo Veríssimo)