quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Um dia calmo no tempo de nós dois.



Amanheceu aquele dia calmo e bem nublado. Nos banhamos juntos, sorrindo, brincando. A paisagem nos envolvia, emoldurando confissões de amor. O sabor do café, naquele beijo terno e sutil, trazia os melhores pensamentos da noite intensa de suores e tremores ávidos e loucos de desejos. Teu beijo que não esqueço. Enlouqueço de pensá-lo tão meu e de todo teu. 

A roupa branca sobre tua pele morena, em contraste com o verde do bosque ao fundo, imprimia a fotografia da beleza perfeita. Linda em pertencimentos nossos. Nossos corações pertencentes a dois. Nós dois. 

A montanha nos debruçava sobre o mar azul. Por ela percorremos caminhos verdes e suaves às águas mornas fervilhantes de tartarugas felizes e festivas que nos receberam em sua alegria. O mergulho e o sol. O brilho no teu olhar feliz e o corpo molhado a pedir colo, que se aconchegou ao meu. O tempo parou. Silenciaram-se todos os sons. Apenas nossos corações falavam num compasso suave de devotamento ao amor. Nosso amor. Nosso momento eterno. Nosso mais intenso silêncio a nos dizer o melhor de nós dois. E te desenhei na mente e esculpi no meu coração. Que é teu!

Nos demos as mãos e seguimos o mar. E as tartarugas. E as borboletas, gaivotas e todas as flores que se abriam para nós. E seguimos o dia até o cair da noite, que também seguimos até o cair do sono. Nosso sono! E foi quando debrucei no teu peito e nos envolvemos no repouso profundo dos nossos corpos juntos a descansar do cultivo daquele mais puro amor, no tempo de nós dois.


Anselmo Verissimo
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/5041114