terça-feira, 2 de agosto de 2016

Da atenção.

Podemos buscar em nós: a cura, a calma, a tranquilidade, a serenidade, o amor, a paz. Porém, afirmamos o "não as tenho", sempre com muita convicção e veemência. São questões recorrentes em nosso cotidiano. E são apenas algumas delas. 

E aí, vem a negatividade, escassez, vitimização, autopiedade..."muletas bajuladoras" criadas pelo nosso ego. Nossas histórias e questões, no mais das vezes, têm a ver com o desejo desenfreado/inconsciente com que lidamos com as oportunidades e possibilidades que se apresentam a cada situação de vida. Por sermos incertos, desatentos, orgulhosos, vaidosos, audaciosos e/ou inconscientes, imaginamos as mais diversas situações, convenientes a nossos apegos e frustrações. Aplicamos julgamentos e emitimos sentenças as mais dolorosas, sempre justificando o outro, "o lá fora".

A verdade é que o nosso interior ficou desajustado. Identificou-se ou acatou mentiras que criamos para nos defender. A mente que mente. O Ego que vai para a ilusão no firme propósito de nos defender. A busca por prazer, satisfação, aprovação e reconhecimento, acende nossa conveniência e cria entretenimento fugaz, como anestésico providencial. E assim nascem os medos. Um conjunto de pensamentos e crenças desse laboratório criativo e inconsequente que se torna parte distanciada de nós.

Precisamos nos reajustar. Reordenar toda essa confusão mental. Dar sentido às verdades em nossas percepções.

E como fazer? Como alinhar-se com o "Eu interior"? Como tornar nossa visão e sentidos ao "Agora"?

Coragem é um dos primeiros passos, reconhecendo nossas limitações. Não é fácil. É preciso persistir.

A gentileza e compaixão com as identificações em pensamentos limitantes que nos colocam num círculo repetitivo incessante,  ajudam a amenizá-los na observação serena.

Presença. Sentir-se. Saber-se capaz e suficientemente humano para responder com clareza e calma a desconfortos e angústias com sentimentos de inadequação. Não se utilizar de velhos programas para evadir-se.

Meditar. Estar consigo mesmo. Olhar fundo para dentro, face a face com o "eu", e ouvir dele o que de fato temos. O que é!

Entregar-se àquela verdade silenciosa que insistimos em sabotar. Respirar profunda e suavemente deixando brotar, da raiz, a paz. O lugar do amor! Do entendimento sublime. Da compreensão profunda que despreza aparência. 

Libertar-se. Dar espaço ao novo. Ao "eu" que se cuida e observa atenta e amorosamente as chamas que insistem nos queimar. Ocorre que o calor vem antes, num crescendo. Não precisamos arder no braseiro da inconsciência que transtorna. Paramos. Nos equipamos, preparados para atravessar o calor intenso, sem precisar ser a Fênix da vez.

Presentes, atentos, conscientes no agora, ensejamos momentos da mais profunda paz, harmonia e serenidade. 


Boa tarde! Usufruindo o presente divino. A vida!


Anselmo Verissimo.